#52sisterhood : Bloom

A segunda semana chegou e não foi mais fácil que a primeira. 

O primeiro passo estava dado e o salto foi mais alto do que pensávamos. Todas nós temos recebido mensagens de várias pessoas a encorajar o projecto, a dizer que estão atentas, a tentar também - e que bom que foi esta resposta - mas apanhou-nos de surpresa de uma tremenda forma positiva. Não estamos a mudar o mundo, mas estamos, semana a semana a dar-vos um pouco de nós e a fortalecer o que temos.

Haverá melhor?

 

O tema, florescer, é tão simples mas ao mesmo tempo tão complexo. 

Já floresci? Estou a florescer? Eu, pessoa? Eu fotógrafa?

Tinha várias ideias sobre o que fazer, mas nenhuma delas possível em Janeiro. Tive de desistir e focar-me em algo diferente. Mais eu. Retrato apertado? Corpo inteiro? Deixo ficar as cicatrizes? As tatuagens? Tudo sou eu, mas eu sou aquilo que vocês querem ver? Bem sei que o projecto é auto-retrato, mas até que ponto consigo mostrar-vos o que quero? Passar a mensagem certa? 

 


flo·res·cer |ê| - Conjugar
(latim floresco, -ere, começar a florir, estar em flor)

verbo intransitivo

1. Criar flores; estar em flor; brotar.

2. [Figurado]  Prosperar; estar próspero; brilhar; exornar.

3. Viver, existir (em certa época e deixando renome).

verbo transitivo

4. Fazer lançar flor; cobrir de flores.


"florescer", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013

 


 

Não sou pessoa de flores, tenho gostos muito específicos nessa área. Conto com os dedos das mãos as flores que gosto - as que não sou alérgica também. As que, de alguma forma significam algo para mim. Também sou apologista da simbologia na fotografia - e no cinema - onde nada está ali por acaso. Os detalhes e as cores foram pensadas - e nesta foto não foi excepção. Do vestido, ao sítio - que inicialmente era em casa, mas que eu não consegui fazer funcionar, precisamente por precisar de cores que se fundam nesta palete, de texturas, de terra, de folhas, coisas que uma parede branca não tem.

 

 

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De todas as flores que podia ter escolhido - papoilas, tão pequeninas, tão frágeis e que nunca passam despercebidas pelas sua cor; tulipas, as flores que mais mexem comigo emocionalmente, que cresci com elas, em casa do meu avô paterno que as cultivava; narcisos, haverá melhor flor para representar um auto-retrato? ; a flor de algodão foi a escolhida.

O algodão ( que não engana! - desculpem, tinha de ser... ) é das flores mais delicadas que conheço - basta que qualquer coisa lhe toque para a sujar, para a deixar amachucada. É muito difícil fazer um ramo, porque os galhinhos são inconstantes. É mais fácil deixá-las em flor solitária. Ficam melhores, assim, sozinhas. São flores que combinam com todos os tons e mais alguns - no entanto, raramente nos lembramos delas.

 

 
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